Me parece até um pouco estranho falar em tecnologia para vocês meus futuros ex-alunos. Até alguns anos atrás me considerava um professor com um conhecimento razoável das novas tecnologias aplicadas à educação, mas com a inventividade da indústria do entretenimento (que acaba se tornando ferramenta pedagógica) e a ampliação da minha experiência docente convivendo com professores estrangeiros, percebi que não é preciso muito tempo para que esse conhecimento se torne obsoleto.
Minha mãe, que também trabalha com educação trouxe para casa nesse final de semana, uma das maravilhas modernas que prometem mudar o panorama da educação nos próximos anos, o Kindle.
Fonte: http://www.acharge.com.br/index.htm
Autoria Arnaldo
Sobre a mesa com a espessura de não mais que uma revista de fofocas, o aparelho parecia me encarar com certo ar de superioridade à medida que relutava em tomá-lo nas mãos para conhecer melhor suas funcionalidades, como se eu mesmo, um professor de história, resolvesse resistir ao tempo ignorando que o tempo é uma espécie de deus bíblico inexorável. Durante o almoço dominical o aparelho voltou a me ocupar devido aos diálogos familiares sobre qual será o papel do professor frente às novas tecnologias que pouco a pouco fazem parte do cotidiano do estudantes, e em breve dos estudantes dentro do ambiente escolar, e a partir de então decidi escrever sobre o tema.
Sou bastante avesso ao desenvolvimento e aplicação da tecnologia em alguns aspectos do cotidiano do homem, e acredito que, apesar dos grandes avanços em áreas muito importantes como a medicina, parte da revolução industrial tem consequências bastante prejudiciais à humanidade. Esse niilismo em torno da tecnocracia, pois para mim mais do que uma simples esfera do conhecimento humano, a tecnologia hoje é uma das mais importantes bases da governabilidade, é facilmente perceptível nos estudantes que hoje ocupam as carteiras nas salas de aula: extremamente bem informados, mas incapazes de articular as informações, habilidosos com os dedos, mas com caligrafia cada vez pior, atentos a diversas fontes de informação, mas limitados para se concetrarem numa única informação.
Acredito que a tecnologia tenha um papel importante para auxiliar no desenvolvimento da condição de humanidade do ser humano, mas com a velocidade dessas transformações, a tecnologia não está atuando como coadjuvante, mas como determinante da condição de humanidade. A tecnologia está determinando o que é ser homem, uma vez que sem tecnologia, cada vez menos homens existem.
Essas transformações que lembram filmes como O Exterminador do Futuro e Matrix parecem conduzir a humanidade a uma condição desconhecida e por isso perigosa, pois a velocidade dessas transformações não permitem que sejam calculados com alguma previsibilidade suas consequências. Por isso, não resisto para resgatar um sentimento adolescente de resistir ao mundo por acreditar que posso mudá-lo, mas porque me parece que a escola é um dos poucos espaços onde ainda se preserva essa condição de humanidade antropológica muitas vezes substituida por esse desenvolvimento tecnologico, como a concentração numa aula expositiva, a motricidade fina no registro de informações no quadro, a humildade no questionamento à exposição do professor e a sociabilidade nos intervalos com os colegas.
Acho que estou ficando velho...
Minha mãe, que também trabalha com educação trouxe para casa nesse final de semana, uma das maravilhas modernas que prometem mudar o panorama da educação nos próximos anos, o Kindle.
Fonte: http://www.acharge.com.br/index.htmAutoria Arnaldo
Sobre a mesa com a espessura de não mais que uma revista de fofocas, o aparelho parecia me encarar com certo ar de superioridade à medida que relutava em tomá-lo nas mãos para conhecer melhor suas funcionalidades, como se eu mesmo, um professor de história, resolvesse resistir ao tempo ignorando que o tempo é uma espécie de deus bíblico inexorável. Durante o almoço dominical o aparelho voltou a me ocupar devido aos diálogos familiares sobre qual será o papel do professor frente às novas tecnologias que pouco a pouco fazem parte do cotidiano do estudantes, e em breve dos estudantes dentro do ambiente escolar, e a partir de então decidi escrever sobre o tema.
Sou bastante avesso ao desenvolvimento e aplicação da tecnologia em alguns aspectos do cotidiano do homem, e acredito que, apesar dos grandes avanços em áreas muito importantes como a medicina, parte da revolução industrial tem consequências bastante prejudiciais à humanidade. Esse niilismo em torno da tecnocracia, pois para mim mais do que uma simples esfera do conhecimento humano, a tecnologia hoje é uma das mais importantes bases da governabilidade, é facilmente perceptível nos estudantes que hoje ocupam as carteiras nas salas de aula: extremamente bem informados, mas incapazes de articular as informações, habilidosos com os dedos, mas com caligrafia cada vez pior, atentos a diversas fontes de informação, mas limitados para se concetrarem numa única informação.
Acredito que a tecnologia tenha um papel importante para auxiliar no desenvolvimento da condição de humanidade do ser humano, mas com a velocidade dessas transformações, a tecnologia não está atuando como coadjuvante, mas como determinante da condição de humanidade. A tecnologia está determinando o que é ser homem, uma vez que sem tecnologia, cada vez menos homens existem.
Essas transformações que lembram filmes como O Exterminador do Futuro e Matrix parecem conduzir a humanidade a uma condição desconhecida e por isso perigosa, pois a velocidade dessas transformações não permitem que sejam calculados com alguma previsibilidade suas consequências. Por isso, não resisto para resgatar um sentimento adolescente de resistir ao mundo por acreditar que posso mudá-lo, mas porque me parece que a escola é um dos poucos espaços onde ainda se preserva essa condição de humanidade antropológica muitas vezes substituida por esse desenvolvimento tecnologico, como a concentração numa aula expositiva, a motricidade fina no registro de informações no quadro, a humildade no questionamento à exposição do professor e a sociabilidade nos intervalos com os colegas.
Acho que estou ficando velho...

Nenhum comentário:
Postar um comentário